sábado, 31 de dezembro de 2011

MEMÓRIAS DE 2011: UM ANO PARA SER LEMBRADO


Pois é, tá todo mundo comentando... “adeus ano velho, feliz ano novo!”.
Hoje resolvi escrever este post para caminhar na contramão. Enquanto todo mundo está fazendo listas do que pretende conquistar em 2012, eu vou destacar algumas das muitas coisas boas que vi e vivi em 2011.
Vamos dividir em três categorias (didáticas de professor):

1º O QUE VI NOS CINEMAS:

- AS VIAGENS DE GULLIVER
- CAPITÃO AMÉRICA – O PRIMEIRO VINGADOR
- CARROS 2
CONAN – O BÁRBARO
- HARRY PORTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – 02
- INVASÃO DO MUNDO – BATALHA DE LOS ANGELES
- KUNG FU PANDA 2
- LANTERNA VERDE
- MISSÃO IMPOSSÍVEL – PROTOCOLO FANTASMA
- OS AGENTES DO DESTINO
- O ZELADOR ANIMAL
- OS PINGUISN DO PAPAI
- OS MUPPETS
- OS SMURFS
- OS TRÊS MOSQUETEIROS
- PIRATAS DO CARIBE 4 – NAVEGANDO EM ÁGUAS MISTERIOSAS
- PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM
- SE BEBER, NÃO CASE! 2
- THOR
- TRANSFORMERS – O LADO OCULTO DA LUA
- VELOZES & FURIOSOS 5 – OPERAÇÃO RIO
- X-MAN – PRIMEIRA CLASSE

2º LIVROS QUE LI:

- PARA QUE SERVE DEUS (PHILIP YANCEY)
- HONORÁVEIS BANDIDOS: um retrato do brasil na era Sarney (PALMÉRIO DÓRIA)
- OS CAMINHOS DE MANDELA: lições de vida, amor e coragem (RICHARD STENGEL)
- ORAÇÃO: ela faz alguma diferença? (PHILIP YANCEY)
- D. PEDRO I – perfis brasileiros (ISABEL LUSTOSA)
- D. PEDRO II – perfis brasileiros (JOSÉ MURILO DE CARVALHO)
- NUNCA É TARDE DEMAIS: dicas práticas para mudar o curso de sua vida (LOWELL SHEPPARD)
- MARAVILHOSA GRAÇA (PHILIP YANCEY)
- MARLEY E EU: a vida e o amor ao lado do pior cão do mundo (JOHN GROGAN)
- ÁGUA PARA ELEFANTES: a vida é o maior espetáculo da terra (SARA GRUEN)
- MIL DIAS NA TOSCANA: memórias de um vilarejo repleto de comida, romances e, acima de tudo, vida (MARLENA DE BLASI)
- ALMANAQUE ANOS 80: lembranças e curiosidades de uma década muito divertida (LUIZ ANDRÉ ALZER & MARIANA CLAUDINO) - (leitura em andamento)
- STEVE JOBS (WALTER ISAACSON) – (leitura em andamento)

3º LUGARES QUE VISITEI:

- AXIXÁ - MA
- BACABAL – MA
- BRASILIA – DF
- CALDAS NOVAS – GO
- GOIÂNIA – GO
- IMPERATRIZ - MA

Bem, é isso! Esse pequeno resumo guarda muito dos grandes momentos que vivi no ano de 2011. 
Agora imaginem todas estes instantes embalado ao som de duas músicas que compuseram a trilha sonora de minha vida ao longo deste ano... "Rolling In the Deep" (ADELE) e "Viva la Vida" (COLDPLAY).
Agradeço a Deus por todas as bençãos que ele derramou sobre minha vida, dos meus familiares e amigos durante esse ano que se finda. Agradeço pela esposa e filha maravilhosas que tenho. Que Sua graça e misericórdia continue sobre todos nós nesse novo ano. Desafios virão, mas as conquistas serão ainda maiores.
Um abraço a todos e... FELIZ 2012 !!!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

NÃO É SÓ UMA BORBOLETA... É UMA BORBOLETA!!!


Antes de tudo, um alerta. Uma espécie de pedido. Dêem uma chance a este texto. Poderá parecer confuso no início (e é), mas no fim, daremos um fim. Eu prometo!
[...]
Há um tempo atrás discutia com uns amigos o significado de palavra “percepção”. Chegamos à conclusão que, de modo simples, poderíamos defini-la como sendo o resultado da comunicação entre o ser humano e a realidade. Dito isso, por hora, mudemos de assunto...
Recentemente, desenvolvi um debate, com os alunos de Publicidade e Propaganda, sobre um texto chamado “Propaganda, Felicidade e Consumo”. Mas não! Este não será um artigo para discutir o texto. Só o cito para poder chegar a um ponto: num dado momento, Ismar Capistrano, o autor, disse que uma das principais características dessa “desnorteada sociedade de consumo” é o lúdico. Ou seja, a felicidade só seria alcançada a partir da fuga da realidade.
Ok. Agora vamos arrumar (só um pouco!) as coisas. Juntemos a “percepção” e o “lúdico”.
Percebam que para os dois termos apresentados aqui, há um único contraponto... a realidade. Mas uma pergunta pode ser feita: se na dita “sociedade de consumo” a felicidade é resultado da fuga da realidade (o lúdico), qual é a nossa percepção da realidade?
Digo, se a maneira como a realidade se apresenta nos obriga a buscar um escape, será que o problema não está na maneira como nós a percebemos? E, se a resposta for sim, quem ou que será o responsável pelo problema?
Todos os dias, mesmo que você não se dê conta, experimentamos um turbilhão de sensações... algumas nos fazem arrepiar, outras já não têm mais esse poder. O banal (outrora excepcional) nos cauterizou! Em muitos sentidos o homem moderno tem perdido a capacidade de se emocionar, de se indignar, de se alegrar, de urrar... de viver a vida de maneira plena. Muitos chegam ao fim do dia sem ter um só grande instante para lembrar.
Agora surgem outras perguntas: o que seria um “grande instante”? Com qual frequência eles acontecem? Seria uma espécie de Cometa Halley?
No Google há aproximadamente 1.230.000 resultados, encontrados em 0,17 segundos, que citam a expressão: “a felicidade está nas coisas mais simples da vida”. E então? Por quê é tão difícil viver na pele a felicidade da simplicidade? Será que dentre as, aproximadamente, 1.230.000 pessoas que escreveram a expressão citada, existe alguém que possa ensinar ao mundo o “segredo da felicidade”?
Bem, eu conheço uma pessoa que curte a vida de maneira plena. Não é nenhum guru, tem apenas 5 anos de idade e vive neste mundo (às vezes)... minha filha.
Ahhhh! Mas criança não vale! … alguém pode está pensando.
 - Mas por quê não?!
Certo dia, enquanto caminhávamos em direção ao carro, ela deu grito recheado de felicidade. UMA BORBOLETA!!! Gente, não era uma grande, excepcional, nem colorida borboleta. Entretanto, enquanto para mim era SÓ uma borboleta (comum!), para ela era UMA BORBOLETA!!!!
Vocês estão sacando meu raciocínio? Acho que se nossa maneira de perceber o mundo (a realidade) pudesse incluir um pouco do olhar da criança, não precisaríamos ter a felicidade como algo tão distante e, às vezes, tão caro! Ouvir minha filha dizer: “Pai, você é o melhor pai do mundo em toda minha vida” é maravilhoso!
Muitas pessoas apenas depois de passar por uma situação de risco iminente de morte têm conseguido desenvolver esta capacidade de ver a vida com outros olhos. Será que precisaríamos quase morrer? Penso que não!
Refletir sobre a vida, aprender a valorizar a família, cultivar amizades verdadeiras, confiar em Deus, são coisas que podem ser feitas agora. Exercite seu olhar! Perceba a realidade de maneira diferente.
E, como prometido... FIM!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

EXISTEM ONG's E ONG's: NÃO SE DEVE JOGAR FORA A CRIANÇA JUNTO COM A ÁGUA DA BACIA!



Na noite de ontem, assisti com indignação uma reportagem do Fantástico denunciando suspeitas de irregularidades junto a ONG “Pra Frente Brasil”. Instalada no interior de São Paulo, a ONG é dirigida pela ex-atleta Karina Valéria Rodrigues, eleita em 2008 vereadora na Câmara de Jaguariúna.

Segundo a reportagem do Fantático:

A ONG - que hoje se chama “Pra Frente Brasil” - atua em 17 municípios do estado de São Paulo. Entre as atividades oferecidas, está o programa “Segundo Tempo”, do Ministério do Esporte. Considerado estratégico pelo governo federal, esse programa começou em 2003, com o objetivo de democratizar o acesso ao esporte. R$ 750 milhões já foram repassados para prefeituras, estados e organizações não governamentais.
Só a entidade da ex-jogadora Karina recebeu cerca de R$28 milhões nos últimos seis anos.
É a ONG que mais ganhou dinheiro do Ministério do Esporte. Parte dessa verba seria usada na compra de lanches. A principal fornecedora de lanches para a entidade é a empresa RNC, de Campinas.”

Como professor, sobretudo do curso de Ed. Física (Fac. São Luis), tenho percebido, no útimos tempos, de maneira mais clara a importância do Esporte como instrumento de inclusão social. Portanto, ver a possibilidade do dinheiro público, que poderia ser aplicado na formação das crianças, está sendo desviado... é realmente algo para se revoltar! (Importante ressaltar que as denúncias feitas pela reportagem ainda não foram apuradas pela Justiça)
Numa sociedade em que os valores (de respeito, responsabilidade, cidadania etc.) foram renegados a segundo plano, o ESPORTE tem um importante poder de resgate. Não há dúvidas de que a prática do esporte pode ensinar às crianças a importância da dedicação, do esforço, da disciplina, do respeito e do trabalho em equipe. Pensar que uma ONG, entendida como grande parceira da sociedade na promoção da cidadania, esteja tirando das crianças essa oportunidade de terem suas realidades transformadas pelo poder do esporte, repito: É REVOLTANTE!
Mas há algo que precisa ser lembrado: existem ONG's e ONG'S! Ou seja, para usar uma expressão que aprendi com a Profª Drª Rosa Godoy (UFPB), “não devemos jogar fora a criança junto com a água da bacia!”
Enquanto milhões de reais têm sido investidos em projetos de ONG's com atuações duvidosas, outras tanto tem oferecido serviços de assitência, de qualidade, a muitas crianças e adolescentes carentes do Brasil, e isso com os raquíticos recursos que dispõem.
Resta a nós, cidadãos (privilegiados até!), pelo menos, duas opções: 1ª - atuarmos como fiscais do dinheiro público... denunciando irregularidades e assumindo nossa responsabilidade na hora de escolher os nossos representantes. Isso mesmo! As nossas escolhas diante das urnas tem uma relação direta com os casos de desvio de dinheiro público destinados a projetos sociais. E, 2ª – nos tornar parceiros de ONG's e outras instituições que com seriedade, transparência e dedicação estejam fazendo grandes projetos de recuperação da dignidade de crianças, mendigos, sem-teto, idosos, etc.
Há poucos dias atrás, no dia 12 de outubro (Dia das Crianças), tive o prazer de participar de uma grande campanha de arrecadação de brinquedos para as crianças do Instituto Vida Feliz, localizado no Parque Jair, São José de Ribamar. Foi algo simplesmente lindo! Inclusive, uso este post para agradecer a todos os meus alunos, alunas, e amigos em geral, que contribuíram para a realização da campanha. As crianças adoraram.
Então é isso, gente. Fico por aqui. E não se esqueçam das palavras da Profª Rosa.

Abraços.

sábado, 20 de agosto de 2011

QUEM MATOU A NORMA?


Ainda lembro com riqueza de detalhes algumas cenas de novelas como “Que Rei Sou Eu”, “Roque Santeiro”, “Top Model”, “Senhora”, “Ti-ti-ti”, “Carrossel”, “O Clone” e outras tantas... Começo este post fazendo esta afirmação para evitar que os leitores façam conclusões erradas acerca do que estou escrevendo.
Inspirado pelas bolhas do Mumm (deliciosíssimo espumante argentino, ideal para uma tarde de calor), não poderia me calar diante de dois fatos que, recentemente, me chamaram a atenção: 1º - a grande quantidade de pessoas no facebook, comentando o capítulo final da novela “Insensato Coração” e, 2º uma notícia veiculada pela Folha online, apresentando o número recorde de acesso de brasileiros a um site que “facilita” a traição (http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/962541-site-de-traicao-tem-recorde-de-publico-no-brasil.shtml).
Não sei se vou parecer careta (vou fazer como aquele famosa história do “dono da bola”) mas, como o blog é meu...
Olha só, não pude deixar de fazer a relação entre os dois fatos.
Até poderia, mas não quero fazer pesquisas e citações para dar uma maior confiabilidade ao que escrevo... quero ser eu mesmo!
Vejo que vivemos uma época em que as pessoas pensam o tal do “prazer a qualquer custo” e, o termo “qualquer” não é um mero detalhe. Tem muita gente vivendo a vida com um alto grau de irresponsabilidade. As responsabilidades devem ser assumidas por nós. Não vivemos num mundo só nosso... os outros (aqueles que nos consideram) também se importam com as consequências do que fazemos.
“E a novela?”, alguém pode perguntar, “o que tem a ver com isso tudo?”. Acho que quem assiste sabe da resposta melhor do que eu.
Tem muita gente que não sabe separar o mundo da televisão da vida real. E não há como negar o poder de influência da mídia na construção da mentalidade da grande massa.
Não sou especialista no comportamento humano (nem tenho a pretensão), mas falo a partir de minhas próprias experiências. Há quem pense que a satisfação do hoje compensa as consequências do amanhã.
Vou, mais uma vez, enfatizar o que disse no começo do post... sou grande fã das boas novelas! (e sei que há um alto grau de subjetividade em minha avaliação) Mas, acredito, que sei separar o mundo real do ficcional. Agora (pura especulação!), será que o alto índice de acessos no tal site a que fiz referência a pouco, não serve como espelho de uma sociedade que vive num mundo de ficção?
Como, infelizmente, ultimamente, tenho visto de perto o grande número de relacionamentos desfeitos, não posso me calar. Falta um pouco mais de cumplicidade e honestidade entre as pessoas e não sei, verdadeiramente, se a novela é que pode nos ensinar a vivenciar isto.
Viva a televisão brasileira! Mas, antes de tudo, viva o pensamento crítico, livre e RESPONSÁVEL!
Bom, se alguém não gostou... ponha a culpa no Mumm!

Nota: o título foi só pra chamar a atenção!


Ah... ia esquecendo... qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência!!!!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

UM DIA TODOS NÓS CHEGAREMOS LÁ – OS DIREITOS DO IDOSO

Esta semana tive o prazer de ter a companhia de meus avós que vieram do interior do Estado. O motivo da viagem foi a necessidade de uma cirurgia de catarata para o meu avó, de 88 anos. Minha vó e eu nos responsabilizamos de levá-lo às consultas e aos locais de exames.
A clínica de olhos, que fica localizada no centro de São Luís foi o nosso primeiro destino. Estacionamos o carro numa rua transversal, próxima ao local da consulta, e seguimos a pé.
Nesse momento começou nossa “aventura”. Ruas estreitas, calçadas quebradas, entulhos, motoristas e motoqueiros irresponsáveis nos separavam do nosso ponto de chegada.
De repente, meu avó tentou uma manobra arriscada, ultrapassar um guardador de carros que estava sentado na calçada, e quase caiu. Segurei-o com força. Fiquei pedindo a Deus que a volta ao carro fosse mais tranquila.
Quando retornamos ao carro, não pude deixar de sentir um alívio. Agora estávamos seguros!
Na volta pra casa passei a reparar com mais atenção a quantidade de idosos que permaneciam ali do lado de fora, inseguros.
Se você que está lendo este post tem um idoso ou até mesmo alguém com deficiência física na família, sabe o quanto é difícil ver os direitos destes sendo respeitados.
Penso que se para determinadas pessoas o fato de terem pessoas idosas na família não os faz ter o zelo necessário para com o direitos deles, talvez devessem lembrar que um dia todos seremos idosos.
Meus avós já retornaram à sua cidade e eu fiquei aqui com mais um bocado de história da infância de minha avó. Dessa vez ela me contou sobre a vez em que juntamente com a mãe elaboraram um plano para ela poder estudar. Única mulher numa família com vários irmãos homens, era proibida pelo pai de estudar: “mulher não pode aprender a ler! É pra não ficar escrevendo carta para namorado” - dizia ele. Mas isso é uma outra história.
Bom, eu aproveito para deixar para vocês um trecho do Estatuto do Idoso (LEI N.o 10.741, DE 1.o DE OUTUBRO DE 2003 ):

Faço saber que o Congresso Nacional
decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Título I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1.o É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.

Art. 2.o O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.

Art. 3.o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

I - atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população;

II - preferência na formulação e na execução de políticas sociais públicas específicas;

III - destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção ao idoso;

IV - viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso com as demais gerações;

V - priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do atendimento asilar, exceto dos que não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência;

VI - capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e gerontologia e na prestação de serviços aos idosos;

VII - estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações de caráter educativo sobre os aspectos biopsicossociais de envelhecimento;

VIII - garantia de acesso à rede de serviços de saúde e de assistência social locais.

Art. 4.o Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei.


Para ver o Estatuto do Idoso na íntegra, acesse: 

            bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estatuto_idoso.pdf

sábado, 23 de julho de 2011

DIFUSÃO CULTURAL: 'RIQUEZA VERSUS EDUCAÇÃO'


NOTA: pessoal, resolvi incrementar um pouco o blog. A partir de hoje, além do meus textos, incluirei alguns outros retirados de sites, revistas, livros... tudo com as devidas referências, é claro! Outra coisa que também vai aparecer por aqui serão algumas dicas de filmes. Os títulos dos textos de outros autores serão sempre precedidos pela expressão “Difusão Cultural”, enquanto que as dicas de filmes, por “Filme bom de ver”.
Vamos ao primeiro texto de outro autor... (muito bom!)




"RIQUEZA VERSUS EDUCAÇÃO"

Carlos José Marques, diretor editorial da Revista ISTOÉ



Dois indicadores divulgados na semana passada mostram situações diametralmente opostas de um Brasil ainda repleto de contrastes. O País que teve 30 bilionários nativos incluídos na lista dos homens mais ricos do planeta – pessoas com mais de US$ 1 bilhão de patrimônio pessoal – é o mesmo que não conseguiu incluir sequer uma única universidade entre as 100 mais bem avaliadas por acadêmicos de todo o mundo. E o que é pior: o Brasil aparece na condição de único entre os chamados emergentes sem universidades tidas como “top” no ranking da Times Higher Education – que traz Harvard fi gurando como a melhor dentre elas. Esse paradoxo reforça ainda mais a surrada imagem da “Belíndia” – expressão cunhada décadas atrás pelo ex-presidente do IBGE Edmar Bacha para explicar que o abismo social no Brasil levava o País a se parecer com uma pequena ilha de exuberância econômica do porte da Bélgica cercada pela pobreza da Índia por todos os lados. Lamentavelmente, a imagem ainda vale nos dias de hoje.
Um aspecto a destacar nesse quadro de disparidades é que o investimento em educação por parte dos bilionários ocorre com frequência nos chamados países desenvolvidos, enquanto por aqui é pouco ou nada usual. Bilionários têm papel vital na sociedade em várias partes do mundo e costumam premiar resultados educacionais, um exemplo que deveria ser seguido internamente. De uma maneira ou de outra – seja pela falta de incentivo de nossos governantes, seja pelo baixo engajamento da iniciativa privada –, o fato é que falta preparo na base de nossa economia, na formação de mão de obra qualifi cada, e essa realidade reforça a concentração de riqueza e inibe o surgimento de novos empreendedores e de pessoas capacitadas a usufruir do atual momento da arrancada brasileira.
O nó da educação nacional é histórico, secular, mas alcançou um ponto crítico. De tal maneira que o Brasil está atualmente entre as dez nações mais ricas do mundo, enquanto, em relação a investimentos em educação, alcançou apenas a 73a posição. Nos números do PIB, uma pista para entender as razões do problema: embora na média global o investimento em educação gire na casa de 10% do Produto Interno Bruto, a média brasileira não passa de mirrados 3% a 4% do PIB. Esse descaso está custando caro.



(Revista ISTOÉ, Edição:  2157 | Ano 35 | 11.Mar.11)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

FILME BOM DE VER - "UM SONHO POSSÍVEL"


Dizem que professor tem férias duas vezes por ano. Não é verdade! Afinal, estou apenas de recesso.
Aproveitando o RECESSO, resolvi dedicar um pouco do meu tempo há uma atividade que muito me agrada. O problema é que essa atividade exige muito de mim, o que explica (em parte!) a demora em publicar um novo texto aqui no blog. Tudo bem, vou dizer o que é... assistir filme! Estou adorando meu recesso.
Então, vamos ao que interessa. Resolvi deixar uma dica de filme para vocês. Trata-se de uma história que inspira o ser humano a ser mais humano.
Alerta: gosto é pessoal, mas acho que o pessoal há de concordar que o filme é de bom gosto. E, antes que alguém diga que não tem tempo, ou que não gosta de ir ao cinema... não tem problema, o filme pode ser encontrado em qualquer locadora.
Farei o seguinte: para tornar mais claro a vocês do que trata o filme, vou adicionar a ficha técnica (extraída de http://www.cinepop.com.br/filmes/sonhopossivel.php) e trechos de uma crítica (extraída de http://guia.folha.com.br/cinema/ult10044u708231.shtml).

FILME: “UM SONHO POSSÍVEL”

Elenco: Quinton Aaron, Sandra Bullock, Kathy Bates, Lily Collins, Tim McGraw, Rhoda Griffis, Ray McKinnon.
Direção: John Lee Hancock Gênero: Drama Duração: 120 min. Distribuidora: Warner Bros. Estreia: 19 de Março de 2010
Sinopse: Em 'Um Sonho Possível', o adolescente Michael Oher (QUINTON AARON) sobrevive sozinho, vivendo como um sem-teto, quando é encontrado na rua por Leigh Anne Tuohy (SANDRA BULLOCK). Tomando conhecimento de que o garoto é colega de turma de sua filha, Leigh Anne insiste que Michael — que veste apenas bermuda e camiseta em pleno inverno — deixe-a resgatá-lo do frio. Sem hesitar por um momento sequer, ela o convida a passar a noite em sua casa. O que começa com um gesto de bondade evolui para algo maior, pois Michael passa a fazer parte da família Tuohy, apesar de terem origens bem diferentes.
Vivendo no novo ambiente, o adolescente tem de encarar outros desafios. E à medida que a família ajuda Michael a desenvolver todo o seu potencial, tanto no campo de futebol americano quanto fora dele, a presença de Michael na vida da família Tuohy conduz todos por uma jornada de autodescoberta.

Crítica:

Baseado em história verídica, o longa surpreende com pontuais sacadas irônicas relacionadas ao conservadorismo norte-americano. Em uma das cenas, por exemplo, Leigh Anne e seu marido comentam, após conhecer uma professora particular mais descolada, que nunca imaginavam conhecer algum democrata. Outro dos momentos revela que a mulher não abre mão de sair com uma pistola dentro da bolsa.
O personagem de Sandra Bullock, que rendeu à atriz um Oscar por sua atuação, encarna uma imagem caricaturesca da mulher média norte-americana. A relação maternal que estabelece com o frágil Oher, porém, revoluciona sua perspectiva de vida, colocando-a em choque com seu grupo de amigas igualmente dondocas e com os familiares.
É interessante como, ao longo do filme, o temor e o preconceito de Leigh Anne e sua família constroem uma aura de tensão em torno do rapaz. O receio de que Oher faça uma besteira e perca a nova vida se faz presente, ainda que ganhe contornos surpreendentes.
Não nos esqueçamos, porém, que "Um Sonho Possível" é um filme estreitamente alinhado com a era Obama e debruçado sobre a superação. Com um pouco de esforço, pode até levar às lágrimas”.
Agora e só preparar a pipoca!

terça-feira, 5 de julho de 2011

HÁ ALGO DE NOVO NO REINO DA TELEVISÃO BRASILEIRA

Aos mais próximos, nunca escondi a paixão que sempre cultivei pelo Jornalismo. Mas, como podem ver no meu perfil ao lado, não sou jornalista. E não digo isso com remorso, uma vez que toda a minha trajetória como historiador sempre caminhou de braços dados com o universo da imprensa, 99% de meus trabalhos acadêmicos gira em torno da temática.
Não! O post de hoje não será para falar de mim... não pretendo (pelo menos conscientemente) transformar este espaço em um diário. A questão é outra. Prometo que mais para frente farei você entender o sentido desta introdução. Mas, por enquanto, vamos adiantar um pouco...
Muitas vezes, durante as aulas que ministro, conversamos sobre a futilidade na grade de programação da TV brasileira. No quanto as pessoas são bombardeadas por campanhas que em nada acrescentam na formação intelectual e até mesmo na construção de um senso crítico diante das inúmeras questões sociais que marcam o dia a dia de nosso país. Compre isso, consuma aquilo, vista esta marca. Ou, como cantou a Pitty: “pense, fale, compre, beba, leia, vote, não se esqueça, use, seja, ouça, diga, tenha, more, gaste e viva”. Confesso que não sou fã da garota, mas, de maneira compreensível a todos, a letra da canção ilustra bem a “Sociedade do Espetáculo”, definida por Guy Debord.
Pois bem... voltando àquela introdução. Volta e meia, algumas determinadas reportagens despertam em mim a queda pelo jornalismo e, recentemente, isto aconteceu em dois momentos. Me refiro às séries: “Na medida certa” e “Planeta Extremo”, ambas veiculadas pelo “Fantástico”. (Uma das poucas coisas que ainda me atraem na TV aberta)
Fugindo à regra, o “Na medida certa” fez da busca pela beleza - característica marcante de nossa sociedade - coadjuvante numa outra corrida: a da busca pela qualidade de vida. A jornalista Gysele Flor, mestre em Comunicação Social, pela Universidade Metodista de São Paulo, em artigo intitulado “Corpo, Mídia e Status Social: reflexões sobre os padrões de beleza”, afirmou que “Para atingir o patamar de boa forma e beleza divulgado pelas revistas femininas é necessário gastar dinheiro e tempo, mas não são todas as pessoas que estão possibilitadas a investir nos cuidados com a aparência, apenas as que possuem recursos financeiros.”... Como disse anteriormente, na contra-mão dessa lógica (que sempre foi verdadeira), na série do Fantástico, o Educador Físico Márcio Atalla defendeu que a reeducação alimentar direcionada a inclusão de alimentos naturais ao consumo diário (frutas, legumes), associada à prática de atividade física mesmo que seja uma caminhada diária, resultará em mais saúde e, consequentemente, redução de medidas.
Por sua vez, no episódio de estréia do “Planeta Extremo”, o repórter Clayton Consevani participou da primeira de quatro aventuras ao redor do mundo. A maratona no gelo, realizada na Antártica, ficou marcada por histórias de motivação e superação pessoal de todos os participantes. Confesso que me senti desafiado ao ver pessoas com características físicas totalmente distantes daquela imagem que temos quando pesamos no biotipo ideal para realização de tais atividades. Idade e peso não foram obstáculos a alguns dos que aceitaram o desafio pessoal de enfrentar temperaturas baixíssimas, até -30º C, e ventos de mais de 100 km/h. Assistir este primeiro episódio do “Planeta Extremo” me fez recordar a leitura do livro “Nunca é tarde demais: dicas práticas para mudar o curso de sua vida”, de Lowel Sheppard, onde dentre as dicas apresentadas encontram-se a prática de atividade física, somada ao ativismo social. Na maratona da Antártica, as duas coisas estavam associadas. Reafirmo que a paixão pelo jornalismo nasceu, não com o sensacionalismo frequente da TV brasileira, mas pela indução de práticas positivas estruturadoras da mudança de mentalidade geral no sentido de construção de um país melhor, ainda que para isso (mudança) comece individualmente.
Não sei vocês, mas eu tenho pensado seriamente em me dedicar um pouco mais a estas duas questões: saúde e responsabilidade social. Já comprei um tênis para fazer caminhada e vou me inteirar melhor sobre a atuação do “Instituto Vida Feliz”. Depois eu conto os resultados.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O POVO PODE/SABE VOTAR?












Esta semana um grande amigo meu (intelectual) me disse não ser a favor do sulfrágio universal. Para ele, o povão, por não ter consciência política, serve apenas como instrumento de manipulação dos corruptos que almejam o poder.
         Se vocês leram o 'post' "ANALFABETISMO", em que eu publiquei uma crônica do Machado de Assis, viram que a constatação de que poucos entendem o que acontece no mundo da política não é de hoje.
Bem, resolvi voltar um pouco no tempo e convidar outros ilustres a debaterem sobre o assunto. A seguir, trancreverei alguns trechos de minha dissertação de mestrado em que eu discuto exatamente esta questão. (Ninguém precisa se assustar, a leitura é simples)

Para o político e jornalista maranhense Odorico Mendes (1779-1864), o governo democrático era a segunda pior forma de governo, estando atrás apenas do Absolutismo. Afirmava que, nas democracias, os homens dotados de talento e virtude, dotados de luzes, eram governados pela parte “menos razoável e esclarecida (...) é a inveja e não a virtude a base da democracia”. (O ARGOS DA LEI. n. 16, 1825).
Em sua análise da América Latina, o professor LeslieBethell , PhD em História pela University of London, acaba por nos esclarecer que a preocupação de Odorico também era comum a defensores do liberalismo na América Espanhola. Ele afirmava que 'a desconfiança na capacidade política da massa da população refletiu-se nas qualificações dos cidadãos segundo a propriedade, estabelecidas em quase todas as constituições centralistas da década de 1820 e dos anos 1830'.
É importante lembrar que, de acordo com a Constituição Outorgada em 1824, o eleitor ou candidato deveria comprovar a posse de uma renda mínima anual. Apenas uma minúscula parcela pertencente à elite brasileira, os que preenchiam o pré-requisito estabelecido, de fato, tinham direitos políticos.
Poderíamos pensar que o discurso de Odorico era perpassado por uma ampla contradição, pois defende Rousseau e os princípios de um estado independente, ao mesmo tempo em que, define a democracia como o segundo pior sistema, pois entregar-se-ia o poder às massas desprovidas de capacidade política. Desta maneira, podemos inferir que Odorico, defendia uma espécie de forma de governo ateniense, em que somente as elites poderiam ser submetidas à participação nos rumos da nação, ou seja, uma política centrada nas elites, pois a maioria da população era desprovida de esclarecimento (razão iluminista). A grande questão discursiva de Odorico era: as massas não poderiam acessar o poder, pois eram desprovidas da razão iluminista, assim teriam que ser comandadas.
Outros nomes do liberalismo da América portuguesa e espanhola também concordavam que era necessário adequar o pensamento liberal às especificidades da realidade local. A exemplo do que fizera Mora (México) e Echeverría (Argentina) na América Espanhola, Odorico Mendes, no Maranhão, escrevia artigos onde adaptava o pensamento liberal ao ambiente do cenário nacional recém-independente.
Vejamos brevemente como Esteban Echeverría, José Luis Mora – estes dois segundo a historiadora Maria Lígia Prado, especializada em História da América Latina – e Odorico Mendes viam a questão da participação das massas nos governos de seus respectivos países:
Para Echeverría, era preciso preparar as massas para o desempenho das atividade políticas pela educação que lhes seria ministrada pelos que detinham as luzes. Assim, fecha-se o círculo dos eleitos para o exercício da democracia e determina-se que devem ficar de fora aguardando o consentimento dos ilustrados. No final do Texto, afirmava sem deixar dúvidas: ‘A soberania popular só reside na razão coletiva do Povo. O sufrágio universal é um absurdo’.
Segundo Luis Mora, para prevenir o perigo de uma nova rebelião camponesa, era necessário que o poder político estivesse nas mãos daqueles que possuíam qualidades adequadas para manter a ordem e também sensibilidade suficiente para precaver-se das ‘revoluções dos homens’, prescrevendo as ‘revoluções do tempo’. Para tanto, era mister que a soberania popular e a participação democrática fossem postergadas para o seu ‘devido tempo’, pala prudência e perspicácia dos governantes.O povo deveria aguardar e ter paciência, até que, por meio da educação, fosse preparado para exercer as liberdade políticas. Insistia: ‘o elemento mais necessário para prosperidade de um povo é o bom uso e exercício de sua razão, coisa que só se consegue pela educação das massas, sem as quais não pode haver governo popular’. 
Odorico foi categórico 'Em uma palavra, onde quer que o povo está de posse dos poderes políticos, o Estado traz consigo a própria ruína. A liberdade degenera em licença, e é seguida da anarquia. (O ARGOS DA LEI. n. 16, 1825)'.
Nesta passagem, Odorico retoma a ideia de que a liberdade seria uma paixão, justificando assim o controle racional por meio de leis restritivas. As massas populares do Brasil não poderiam, conforme Odorico, serem submetidas ao império da liberdade sem restrições, pois aí moraria a ruína nacional. Na verdade podemos inferir que o autor buscava legitimar o discurso de que as massa não poderiam participar dos processos decisórios, estes seriam papéis exclusivos dos homens letrados e “capazes” das elites.  "

Então, meus caros... devemos pregar o fim do sulfrágio universal? Ou a questão é outra? Qual? Será que vale a pena abrir mão desse que é considerado um referencial da democracia brasileira?
Vejam, minha intenção não é apresentar repostas... é levantar discussões.
Mas, diz aí: o povo pode/sabe votar?


terça-feira, 21 de junho de 2011

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE LIXO!



Aproximadamente 21.800.000 resultados (0,08 segundos) para “Sustentabilidade” na pesquisa do Google. Já para “Coleta Seletiva”, aproximadamente 2.150.000 resultados (0,03 segundos). Agora, a agilidade na hora de tratar estas questões...
Não tenho pretensão de parecer entendido em matéria de meio ambiente e coisas do tipo, mas o que escrevo é fruto da mais pura e simples observação.
Resolvi falar um pouco sobre esta temática pois há alguns dias atrás foi veiculado pelo mídia uma notícia que me deixou extremamente feliz, e desconfiado: “Até agosto de 2014 o Ministério do Meio Ambiente pretende livrar o Brasil dos lixões a céu aberto, presentes em quase todos os municípios brasileiros” (revistagloborual.globo.com). No site do Jornal do Brasil, encontrei um artigo publicado por Tadayuki Yoshimura, engenheiro e presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), onde se discute a aprovação da Lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Segundo o autor, “O objetivo da legislação é garantir uma adequada gestão integrada dos resíduos sólidos, estabelecendo a responsabilidade compartilhada e fazendo com que toda a cadeia responsável pela produção de um bem ou produto de consumo se responsabilize pela destinação final do material, seja com o objetivo de reciclá-lo, reutilizá-lo ou rejeitá-lo, este último somente caso não haja mais como aproveitá-lo para uma finalidade produtiva. Assim, produtores, fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e os agentes de serviços e gestão da limpeza pública têm responsabilidade sobre a adequada destinação dos produtos que tiveram seu período de utilização encerrado”.
Como tenho fama de ser pessimista (prefiro pensar que sou realista), peço que vocês me corrijam se eu estiver errado. Mas, vejo com extrema desconfiança a aplicabilidade da referida Lei aqui por essa bandas.
Uma cidade como São Luis, às vésperas dos 400 anos, infelizmente ainda está muito distante de ser o que queremos que seja.
Então, para não ficar só na crítica, vou apresentar uma proposta: que tal educação ambiental? Que tal políticas públicas voltadas para a conscientização da população? E a criação de uma infraestrutura urbana sustentável? Cada um desses pontos tem fundamento. Pensem comigo: antes de jogar o lixo no chão, quantos se preocupam em procurar um cesto de lixo? De repente você pensou: “qual? Eles não existem”... aí entramos no segundo ponto, infraestrutura. A carência de cestos de lixo – me refiro ao mais simples... não estou nem falando daqueles lá da coleta seletiva – nas vias de grande movimentação de pessoas é notória. Dos poucos que existem, boa parte deles já deveria está no lixo.
A Revista eletrônica argentina “Ohlalá” (revistaohlala.com) trouxe um artigo de autoria de Belén Esteves, advogada especialista em meio ambiente e energias renováveis e assessora do parlamento alemão em politicas ambientais para América Latina, com o título: “¿Querés una ciudad sustentable?”, onde são expostos alguns passos para a construção de uma cidade “verde”. Três pontos, em especial, me chamaram a atenção: Espaços Verdes, Resíduos e Transporte Público. Fazendo jus às aulas das professoras Marilda e Macarena, somado ao bom e velho 'portunhol', tomei a liberdade de fazer uma livre tradução de três parágrafos do referido texto. Olha só:

Espaços verdes. A chave é a incorporação de mais áreas naturais à paisagem urbana, já que são de grande valor social e funcionam como amortecedores para a poluição causada pelos automóveis, melhoram a qualidade do ar e diminuem alguns graus na sensação de calor. Um exemplo interessante é a cidade de Curitiba. Diante das frequentes inundações, adotou a política de preservação de áreas de drenagem natural e da proibição de outras, que foram destinadas para lagos artificiais e recreação, que permitiram resolver o problema e, por sua vez, aumentar os espaços verdes da cidade.

Resíduos. Ambientes urbanos geram grandes quantidades de lixo, e na maioria das cidades nos países em desenvolvimento não há uma boa gestão de resíduos. Em contraste, a proliferação de lixões. O que fazer? Reduzir e separar o lixo na fonte (a sua casa, por exemplo), dando prioridade à reciclagem, mas é claro que no âmbito da gestão integrada de resíduos urbanos. De nada adianta você fazer a coleta seletiva e o serviço de coleta juntar novamente.

Transporte público. A idéia é diminuir o volume de automóveis nas ruas (maior fonte de poluição). As cidades que desejam se torna sustentáveis têm investido tempo e dinheiro para construição de eficiente sistema de transporte público. Além de promover o uso de bicicletas: prática saudável, não-poluente (tanto do ponto de vista atmosférico quanto sonoro)”.

Desafio alguém a dizer que São Luís não possa pensar estas questões. O que não falta em nossa cidade são áreas verdes (mal cuidadas, é claro!). Uma cidade como São Luis não tem um zoológico ou um bosque para passeio público!!! E quanto ao sistema público de transporte? Sobre isso eu prefiro não me estender... esse tema merece um “post” especial... vamos deixar para a próxima. Já o política de resíduos... bom, vamos torcer para que até 2014 as coisas funcionem. Por enquanto, vou continuar sem poder apresentar uma solução válida para minha filha de 4 anos quando ela se nega a jogar uma garrafa d'água no cesto cheio de papel. “- A tia (da escola) disse pra jogar no lixo vermelho”.


quinta-feira, 16 de junho de 2011

[O ANALFABETISMO] - MACHADO DE ASSIS








OBS: Considerando o rítmo frenético dessas ultimas semanas, convido vocês a se deleitarem com com esta belíssima crônica de Machado de Assis. Notem que a publicação é de 1876, mas a discussão é extremamente atual.
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[O ANALFABETISMO]
"Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica.
Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá:
Quando uma constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.
A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:
A nação não sabe ler. Há 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não lêem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, – por divertimento. A constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.
Replico eu:
Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições …
As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas – “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem…” dirá uma coisa extremamente sensata.
E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento."
Crônica de Machado de Assis - 15/agosto de 1876. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

E SE D. PEDRO II MONTASSE UMA CONSULTORIA?



Não me perguntem o que me motivou a escrever este texto. Eu não sei! E nem adianta você tentar fazer qualquer relação com “alguns” atuais episódios no mundo da política. Inclusive, de já eu adianto: qualquer AUSÊNCIA de semelhança com a realidade, terá sido mera coincidência.
O historiador José Murilo de Carvalho publicou, recentemente, um livro biográfico sobre D. Pedro II. É com base em algumas passagens dessa obra que conjecturo...
… E se D. Pedro II montasse uma empresa de consultoria?
Órfão de mãe e abandonado, ainda criança, pelo pai, poderia prestar consultoria dando dicas de como superar traumas familiares e vencer na vida. Já pensou? Acho que dava, afinal segundo José Murilo, “a palavra que melhor define sua infância é orfandade”.
Apaixonado por livros, era “um leitor voraz”. Em seu diário, escrito em 1962, disse que sua grande vocação eram as letras, as artes e a ciência: “Nasci para consagrar-me às letras e às ciências”. Acredito que poderia ter se tornado um excelente tutor. Ou então, poderia montar um consultoria para aqueles interessados em ampliar seu universo cultural... com direito a dicas de viagem. D. Pedro II adorava viajar.
Outro episódio interessante fica por conta de seu casamento. Vítima de propaganda enganosa, casou, por procuração, com uma mulher que nem de longe se assemelhava ao retrato que, previamente, lhe havia sido enviado. “A mulher que lhe tinham arrumado era quase quatro anos mais velha, de cultura modesta, baixinha, sem beleza e manca”, afirma José Murilo. Ora, bem que com esta experiência D. Pedro II poderia direcionar sua empresa de consultoria ao mundo do Publicidade e Propaganda, com palestras sobre ética e responsabilidade no exercício da profissão.
Vale destacar, entretanto, que apesar dos poucos (ou nenhum) atributos físicos por parte de D. Teresa Cristina, manteve-se casado até o dia em que esta veio a falecer... Ah, não posso esquecer de mencionar que nesse meio tempo, teve alguns relacionamentos extraconjugais, com destaque ao que tivera com a Condessa de Barral. “A paixão por Barral […] ultrapassou a atração física, foi eterna, sem deixar de ser chama”. Não esqueça a referência que fiz às várias amantes... seria o diferencial numa consultoria sobre... bem... vocês entenderam!
Mas, como se sabe, isto tudo são só devaneios... D. Pedro II não montou nenhuma consultoria! Este homem que foi manchete no jornal New York Times, em 16 de novembro de 1889 - “Com uma ou duas exceções, d. Pedro tem provavelmente um reputação pessoal mais ampla que a de qualquer outro monarca vivo” - , não montou sua consultoria e por isso deixou de ganhar, quem sabe, até 20 milhões!
Vejam o que diz José Murilo: “o descaso do imperador por dinheiro é bem ilustrado pela decisão de distribuir aos pobres os lucros, parcos, é verdade, da Fazenda de Santa Cruz, de propriedade da Coroa. Ele justificava a medida com o argumento de não querer que se dissesse que 'estava entesourando'. Por não entesourar, ao ser exilado teve de continuar a pedir empréstimos, que ainda não estavam pagos por ocasião de sua morte”.
Viram?? “O mais ilustrado monarca do século”, como noticiou o New York Times, na ocasião de sua morte, saiu do poder e não soube aproveitar toda a sua experiência política (afinal foi quase meio século, de 1840 a 1889, com direito a Guerra, impasses diplomáticos e Revoltas internas) para prestar consultoria... Perdeu a chance de ganhar 20 milhões!